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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Ócio interrompido


   Naquele sofá desconfortável (que já até adquiriu o formato de minhas nádegas), remexo-me para achar uma posição confortável, onde eu possa olhar para a TV sem que me dê aquela dorzinha nas costas, que se alastra para a coluna, e logo faz uma das pernas formigar-se. Não existe sensação pior neste mundo do que sentir formigar-se, você se sente um imprestável que não consegue controlar os movimentos de suas próprias pernas, que parecem estar levando milhões de choquinhos.
 Sento, levanto, tento de todas as formas conseguir achar uma posição confortável. Penso na verdade, é em jogar fora este sofá velho e feio que minha mãe me deu. Desculpa mãe mãe esse sofá laranja abóbora, além de feio, é mais desconfortável que um banco de praça.
   Mas é claro que depois de muita luta , colocando almofadas para cá e cobertores para lá, consegui me acomodar. Enquanto isso eu apalpava carinhosamente o sofá em busca do controle remoto, até porque convenhamos, a programação da TV aberta aos domingos está para ser boa, assim como meu sofá está para ser confortável.
  Exatamente trinta minutos para me acomodar no sofá, e então toca a campainha...É o porteiro com correspondências nada mais nada menos, do que contas a pagar e propagandas.
  Ao agradecer o porteiro por sua atenção, fui surpreendido por suas palavras que carregavam um sotaque não identificável: -Uai, um rapaiz taum jovem como ocê em casa essa hora de um domingo taum bonito? Óia, se eu fosse tu já tinha me enfiado fora daqui.
  Agradeci o porteiro e entrei em casa, olhei para as correspondências, fitei aquela cor de abóbora do sofá e pensei no que o porteiro me havia dito. Por que não fazer algo mais animador e menos preguiçoso desta minha vida? Tanta gente bonita nos parques e ruas da cidade e eu aqui, respirando o cheiro de mofo que vem de minhas articulações.
  Preciso mesmo sair, respirar ar puro, ver gente nova. Mas só de pensar no tempo e no trabalho que levarei para tomar banho, trocar de roupa e escovar os destes, me dá uma preguiça...
  - Domingo que vem eu começo a caminhar. Começo também aquele regime que prometi na virada do ano de 1999. Vou chamar o Marcão o Rafa e a Diana para irem caminhar comigo, mas se eles não forem, sozinho é que eu não vou.
   Mas agora só faltam vinte minutos para o joga começar, a cerveja já está gelada, não dá mais tempo de ir caminhar, e meu sofá, ah meu sofá, laranja abóbora até que não está tão ruim assim para assistir o jogo.

O feitiço virou contra o feiticeiro

- Filha, quer me fazer um favor? – Meu pai me perguntou sentado ao meu lado.
    Analisemos a pergunta: “Quer me fazer um favor?” ·
    Não pense que essa pergunta é tão simples quanto parece. Essa é daquelas que seu pai finge lhe dar uma opção, mas no fundo você não tem. Então não se iluda com isso. O fato é que eu estava inexplicavelmente cansada e tinha tido um dia daqueles, e não, eu não queria fazer nenhum favor para o meu pai. Na verdade, não queria fazer nenhum favor para ninguém. Então, como meu pai me ensinou a sempre ser uma pessoa muito sincera, resolvi responder da forma mais honesta possível: “Não”.
    Minha reação foi a mesma que a dele: silêncio total. Mas provavelmente ele devia estar me xingando mentalmente e se perguntando porque havia tido uma filha tão inutilmente inútil.
   - Porque não?
   - Porque não pai, eu estou cansada.
   Na verdade eu nem estava tããão cansada assim, mas eu estava tão confortável no sofá e tão bem assessorada pelos canais da minha televisão que minha preguiça quase virava um cansaço.
  - Eu também estou cansado, mas eu preciso fazer uma coisa e preciso da sua ajuda.
   Meu pai nunca foi daqueles pais autoritários que manda um filho fazer alguma coisa e ponto final. E por essa mesma razão eu o respeito tanto e, às vezes – muito raramente – até resolvo fazer algumas coisas por ele. Mas naquela situação, nada, nem ninguém, me faria sair do meu sofá que me escravizava com sua confortabilidade.   
   Minha sorte foi que meu celular interrompeu esse lindo momento e eu o atendi sem hesitar. 
   Minha melhor amiga começou a explicar que eu deveria tomar um banho e ir direto para a casa dela, porque minha paixão platônica havia deixado um convite no meu facebook para uma tal festa (que era naquele mesmo dia) e, não sei porque raios de motivo, eu não havia visto o convite. Ela desligou o celular na minha cara depois de me intimar a ir para a casa dela correndo.
   Então... Sabe aquela pequena frase que eu disse ali em cima?
   Analisemos a frase: “Nada, nem ninguém, me faria sair do meu sofá...”.
   Na verdade, não há muito que se analisar nessa frase, apenas o fato de que ela não se aplica a qualquer situação que envolva paixão platônica, ok?
   O problema é que eu ainda não dirijo, ou seja...
    - Pai, quer me fazer um favor? 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Na minha adolescência.

Há diversas forma de viver, e alguém que considere que viveu bem, que aproveitou a vida, certamente irá sempre relembrar da adolescência e falar sobre ela. Para uns a adolescência é uma fase de muitas descobertas, para outros é uma época em que as pessoas são obrigadas a tomar as primeiras grandes escolhas e aparentemente decisivas para o resto da vida. Há diversos poemas, filmes, sobre essa transição da infância para a vida adulta. E certamente para cada um, a adolescência foi única, e traz lembranças únicas, mas para minha mãe... Ah, para minha mãe a adolescência dela foi tudo, aconteceu de tudo.
Não importa o que eu faça, o que eu diga, ou o e eu pense em falar - e portanto nem se quer saiu da fase do pensamento. Minha mãe sempre terá algo mais grandioso para falar, e certamente terminará a conversa com a frase: "Você não sabe aproveitar a sua juventude, essa é a verdade.". E eu digo que a conversa terminará assim, não porque ela me convenceu ou algo do tipo, mas simplesmente porque não há nada que eu diga que a conversa do contrário.
Normalmente evito ficar a sós com a minha ilustríssima mãe em lugares fechados, onde o nosso dom da fala possa facilmente se tornar uma conversa. Um diálogo até vai, um: "bom dia", ou "o que tem para o almoço?", mas nestes lugares fechados que tanto evito ficar a sós com a senhora minha mãe, não tem como ficar apenas em um diálogo casual. A sala de estar da minha casa, é um ambiente excelente para se usar como exemplo de lugares que sou obrigada a sair do diálogo casual, e partir para o massacre de ofensas subliminares, e camufladas com um "minha princesinha, você é tão esperta, mas...", quando chega esse "mas" eu já sei que virá algo: "na minha adolescência não era assim...", " eu  fazia desse jeito..."
Não importa o quanto eu evite ou o quanto eu adie estas conversas. Elas sempre acontecem!
Esta crônica eu fiz para adiar umas dessas conversas; mas estou ouvindo ela chamar pelo meu nome em um tom levemente alterado, talvez o motivo seja porque eu não estou respondendo, fingindo estar super concentrada
Mas não tenho escapatória terei que descer, até a sala de estar. Um lugar fechado. Ficarei a sós com a minha mãe. E certamente terei mais uma longa tarde ouvindo de como sou um zumbi e não sei aproveitar a minha adolescência. Mas perto da adolescência que a minha querida mãe diz ter tido, ninguém um dia terá uma tão boa quanto!

Tensão Pré/Durante/Pós Menstrual

Mulheres, oh as mulheres, Essas pessoas que acham que são as donas do mundo, que tudo podem, e que não devem satisfação a ninguém. O racinha viu!
Elas já são mandonas e bipolares por natureza, quer o que pode ser pior?
- Uma mulher na TPM!
Me sinto no direito de falar sobre o assunto, afinal em toda a minha longa vida, o que mais fiz foi conviver com essas tais mulheres. Uma mulher na TPM é perigosa, é carente, é nervosa, é dengosa, é tudo e nada ao mesmo tempo. Mas o que caracteriza mesmo uma TPM: é que quando a mulher em questão passa por ela, a vive, ela simplesmente tem o direito de tudo.
- Ou pelo menos elas acham que têm.
E todos, absolutamente todos devem ter paciência e tolerância, pois afinal tudo que a mulher diz e faz é por conta da bagunça de seus hormônios, e sua TPM é a culpada, não a "pobre moça", que vai do inferno ao paraíso em segundos.
Tudo isso, eu até entendo. Desde sempre, fui informado sobre esse universo feminino, mas o que nunca me informaram é que quase sempre a culpa cai sobre os homens.
Um belo dia, uma dessas incríveis mulheres que já passaram pela minha vida, e que por acaso, e para o meu azar, se encontrava na bendita TPM, soltou a seguinte frase:
- Eu estou ótima, não vê?! Quando eu não estiver, você vai perceber... Agora pare de infernizar o meu dia e me deixe em paz!
E eu havia apenas comentado sobre o aumento do peço da margarina. E ao ser ignorado, perguntei se ela estava bem...
Por fim meus caros, se pioramos ou não a TPM da mulher, nunca saberemos ao certo, mas elas vão sempre nos culpar, com ou, sem razão. E devemos entender que a culpa é dos tais hormônios que resolveram se revoltar. Pobre moça na TPM. Pobre mundo que é obrigado a aturar a pobre moça na TPM. E pobre de nós, meros homens, que ficamos a mercê dessas moças.

Em busca da liberdade

Vendo tantas crônicas bacanas, me senti inspirada em escrever uma também, se é que me permitem. Assim como vocês, decidi contar alguma coisa que se relacionasse com a minha vida, então, espero que curtam :D


Sabe, acho que o maior símbolo de liberdade para o jovem hoje é o carro. Poder ir aonde, quando e com quem quiser, para qualquer lugar, nos dá a sensação de donos do mundo. Mas até chegar a tão sonhada liberdade há muitas etapas a serem feitas e a pior delas é tirar a carteira de habilitação. 

Não estou exagerando, acho que de todas as grandes etapas ESSA é a pior de todas (pra mim, claro!).

O primeiro passo a liberdade começa no DETRAN, que é o inferno na Terra, porque você fica horas esperando só pra tirarem as suas digitais e uma foto horrível que constará na sua carteira de habilitação para sempre e sempre. 

O segundo passo são as chatérrimas aulas teóricas que duram intermináveis duas semanas (sim, eu disse duas semanas) de idas incansáveis até a auto escola. A minha sorte foi que o meu professor era um lindo e másculo bombeiro ótimo no que fazia, então as aulas foram, digamos, mais prazerosas do que eu imaginava.

Após as aulas você se dirige novamente ao inferno para fazer a sua "Prova Teórica" que, amigo, é pior do que o vestibular, garanto. Você tem 40 minutos pra fazer 30 questões: 1,33 minutos para responder cada questão onde todas as alternativas parecem certas e você não sabe o que fazer! PRESSÃO!

Passada essa etapa de arrancar os cabelos você acha que vem a parte mais gostosa de todas: as aulas práticas! Mas é ai que você se engana! Dirigir é mais difícil do que parece, pelo menos para pessoas descoordenadas e sem noção de espaço como eu. Para minha sorte, mais uma vez, o meu instrutor tinha muuuuito amor no coração, porque fiz muitas (digo muitas mesmos) "coisas erradas" no trânsito que deixariam qualquer um tanto irritado.

Após as 20 aulas práticas, com muito humor e agonia, vem o último dos martírios: a prova prática. Que é tão pior quando a teórica, porque se você deixa de dar uma seta, tá ferrado! Mais 15 dias e R$: 180,00 a menos no bolso.

A minha doce liberdade, por enquanto, está estacionada neste estágio, porque ainda não marquei a minha prova. Mas não se preocupem: já estou me preparando fisicamente e, mais importante, psicologicamente para ela. 

Desse ano, essa liberdade não me escapa!

Pai, preciso de dinheiro!

Um grande cifrão reluzente, teclas com números e uma portinhola para a saída do dinheiro. É assim que vejo meu pai.Toda vez que preciso de grana pra comprar alguma coisa ou para sair, corro atrás do meu pai. Ele é bonzinho, sempre me dá uma quantia maior do que peço.Um dia percebi que só falo com ele pra pedir dinheiro. Não sei nem ao certo a idade dele, será que ele tem 37 ou 39 anos? Pois é, não sei mesmo.Num fim de tarde, logo que vejo meu pai entrando em casa, lembro que preciso comprar uma agenda.- Pai, preciso de dinheiro!- Oi filha, tudo bem com você? Como foi seu dia?Estranhei a pergunta. Num segundo vasculhei minha memória e percebi que não tinha perguntado como foi o dia dele nenhuma vez em muitas semanas.- Oi pai, estou bem e o senhor?- Estou bem, obrigado! - Com um grande sorriso no rosto - Quantos reais você precisa? Pela primeira vez não consegui responder aquela pergunta. Imaginei-me uma sanguessuga grudada ao pescoço dele. Uma parasita. Uma parasita muito nojenta.Naquele momento passou um filme na minha cabeça, mostrando todas as vezes em que pedi dinheiro a ele. Quando recebia o dinheiro saía correndo, muito feliz. E o meu pai? Como ele se sentia? - Não preciso mais do dinheiro, pai. Conte-me como foi seu dia, o que te agradou, o que te irritou...Senti que ele ficou confuso, mas feliz.- Ah, filha! Hoje teve um episódio muito engraçado...Mal prestei atenção no que ele dizia, fiquei encantada com o brilho do olhar dele.Prometo que daqui em diante irei me preocupar mais com meu pai, tentarei de todas as formas esquecer do dinheiro quando eu estiver junto dele. Mas, cá entre nós leitor, não dá pra ficar sem grana, não é mesmo?

Crianças da Geração Z

   - Pai, pai, já peguei as chaves. Vamos, vamos!
    Nunca pensei que assim seriam os momentos que antecederiam o primeiro dia de aula do meu filho. Eu não me lembro de estar tão ansioso assim, como ele está.
   - Vamos Pedro, sua mãe já arrumou sua bolsa.
   - Já vou papai, vai ligando o carro...
    Meu filho caminhava em direção ao meu carro, puxando sua mochila de rodinhas com vários chaveiros de super-heróis que batiam entre si e faziam um som semelhante ao da própria mochila. Antes de ir, Pedro, de apenas  sete anos, ainda pegou o celular e começou a jogar aquele jogo de pássaros "irritados". Se não fosse a função básica do aparelho, eu não deixaria que ele pegasse, pelo mesmo motivo que não pegou o game-boy e o vídeo-game portátil. Queria eu que meu filho não possuísse todos esses "brinquedos".
    Saímos de casa e já nos deparamos com todos aqueles carros na rua.
   - Sabe filho, quando eu tinha a tua idade e até os meus 15 anos, pude desfrutar do prazer de brincar nesta rua. Jogava bolinha de gude, brincava de esconde-esconde, jogava futebol...
   - Gol!
   - Aonde? Olhei para os lados da rua procurando crianças com uma bola, o que chegava a ser irônico, pois sabia que ali não havia lugara para jogar. Antes que uma resposta mais óbvia fosse elaborada pelo meu cérebro, ele respondeu:
   - Aqui pai, o Vitinho me passou esse jogo de futebol também, é muito legal. Mas continua falando. Por que eu não posso brincar de futebol com você na rua? O que aconteceu?
   - Foi quando o bairro começou a crescer e vieram os prédios, carros e tudo mais. Tá vendo? Não dá para colocar a bola no chão sem que ela possa ser furada.
   - Mas você vai me levar no parque, não vai? Quero saber como joga bola de verdade.
   - Vou, mas só no sábado, agora não temos tempo.
    Andando mais algumas quadras chegamos à escola. Muitas crianças ali estavam e quase todas seguravam o braço do pai ou da mãe com uma mão e algum aparelho eletrônico com a outra. Como posso eu exigir que meu filho não tenha essas coisas se todas as outras crianças têm? Fora isso, todo dia passa alguma passa alguma propaganda na TV sobre o assunto. Será mesmo que faz bem para o meu filho ter contato com tudo isso tão jovem?
   - Pai, pai, vamos! Por que você não abriu a porta do carro ainda? Eu quero ver logo como é escola.
   - Espera filho, já vamos. Deixa eu falar uma coisa para você antes.
   - O quê?
   - Você promete que vai desligar o celular na sala?
   - Mas não é para mamãe ligar?
   - Ela liga para escola, caso precise. Promete?
   - Sim.
   - E se tiver educação física, ou algo do tipo, vê se joga queimada, vôlei ou algum outro esporte. Eu e a mamãe vimos que o seu primo Vítor está na mesma sala que ti. Aí você brinca com ele, mas nada de games, ok?
   - Sim papai, prometo para ti.
    E assim deixei meu filho, naquela multidão de crianças que nascem já nessa geração tecnológica. E espero que ele consiga conciliar todos esses aparelhos com os estudos e diversão. Vou ajudá-lo, mas não vou devolver o celular que ele esqueceu em cima do banco. Não hoje.
 

Patético, porém irônico.

Sabe aquela sensação nostálgica ao se deparar com um conhecido na rua? Pois é... pior é essa sensação quando se mistura amor, ansiedade e um pouco de cafeína no sangue. E você fica lá, olhando com aquele ar de desejo que os feromônios da outra pessoa lhe causam, não é?
Sempre olho para ela, vindo em minha direção, e imagino aquela típica cena de filme romântico (aquela onde a mocinha e o mocinho correm em direção um ao outro, em um campo cheio de flores). E você pensa em tantas coisas em um curto espaço de tempo que nem sabe reagir. Visualiza cada parte do corpo e dá um atributo a ela.
Ao lançar-me aquele olhar de Viúva Negra (tipo a Scarlett Johansson no filme The Avengers, sabe?) enquanto aprecio sua pele (como aquele travesseiro que você não quer largar ao acordar), até que ela dá um sorrisinho e vem falar comigo (esse é aquele típico momento que você não consegue disfarçar o seu nervosismo nem um pouco): 
- Oi, Fulano! Tudo bem? - peguntou.
- Tudo ótimo, Beltrana! E contigo? - continuei meio nervoso, mas vamos pular direto para o assunto central:
- Beltrana... topa sair comigo no sabadão depois do curso? - pausa dramática só para aumentar o suspense e acompanhar o meu pensamento positivo, mas já sabe qual vai ser a resposta, não é?
-Ah, Fulano... sábado irei encontrar o Ciclano. Lembra dele?  Estamos juntos há quase um mês, mas adoraria ir ao cinema com você em um outro dia, meu amigo. - finalizou.
Para não dar aquela pinta de cara boladão porque levou um belo chute, sabe o que fiz? Agi normalmente, me despedi e fui andando e cheguei à uma conclusão: às vezes, pensar naquela típica cena de filme não vale a pena se não tomar uma atitude rápido, ou então só vai ficar preso no imaginário.

Estação do Tempo


    Quase todos os bancos vazios. A pressa havia levado quase todas as pessoas à estação de metrô mais próxima. Sons de buzinas, motoristas estressados… Mais um típico dia de congestionamento em São Paulo.
    Com um tempo a mais, resolvi fazer meu caminho a pé e acabei saindo do ônibus pela porta de trás. Quem me dera se eu pudesse levar aquelas pessoas, que caminhavam como formigas, comigo. Seria tão bom. Esse povo parece que nunca faz nada de novo. Vivem vestidos de roupa social, mas adoram sujá-las quando correm em direção à Avenida Paulista. Por que será, hein?
     Quantas estações eu teria que passar mesmo? Duas, três, nem me importei mais. Meu livro continuaria reservado naquele bom e velho sebo da esquina. Quem não fica reservado é o tempo. Acredito que o próprio Tempo reclamaria se fosse possível. É tanta gente querendo diminuí-lo, alongá-lo e requisitá-lo… Não sei de onde ele tira tanta mão assim para ajuda todo mundo. “Mais dois minutinhos” dizia a moça ao celular, enquanto corria para o metrô. “Tira esse carro da frente, não tenho tempo a perder” dizia o outro no trânsito. Ninguém quer esquecer o tempo não?
     Fumaça, barulho, espirros, tosses e mais barulho. Finalmente chego ao sebo para buscar meu livro. Olha a moça do metrô ali de novo, agora sentada em uma lanchonete e conversando com os amigos. Parece até que esqueceu do relógio. Também né, como alguém gosta de algo como o tempo, sabendo que ele só deixa os outros irritados?
     Eu hein, vou ali ganhar um tempo voltando de metrô casa, quem sabe eu não ganho mais um pedacinho de tempo com os meus livros…

Comercial de manteiga


     Quem nunca passou por uma situação que te deu muita vergonha?
     Outro dia eu estava assistindo um filme com a minha mãe e, do nada, os personagens ficam nus e começam a encenar uma cena de sexo. É uma cena curtíssima, mas parece eterna de tanta vergonha que passei na hora.
     Ninguém sabe explicar o que acontece com os filhos na frente dos pais quando ocorre este tipo de imprevisto. Os filhos também não sabem o que fazer: se continuam olhando, se puxam um assunto ou se dão um gole no refrigerante com medo de que qualquer movimento seja suspeito.
     Minha mãe ficou olhando como se aquilo fosse um comercial de manteiga e eu fiquei vermelha, olhando para os lados, como se aquilo não fosse nada de mais para mim, tudo normal, assunto ensinado na escola e tudo mais.
     Como minha própria mãe diz: "Vergonha é roubar e não poder carregar", mas não adianta, mesmo depois de ter "aquela conversa" com os pais você continua com vergonha de ter corpos nus e seus pais no mesmo ambiente.
     Essas coisas a gente aprende com a vida, é instinto, é natural... prometo da próxima vez assistir "aquelas cenas" como a minha mãe, como se fosse um comercial de manteiga.


domingo, 27 de maio de 2012

Bem-vindos!

Queridos alunos, está inaugurado o nosso blog!

Ele tem dois objetivos principais. O primeiro é que possamos ler, acessar e comentar os textos escritos por todos os colegas. Dessa forma, faremos algumas atividades pelo blog, principalmente, situações de revisão de textos. O segundo objetivo é divulgar nosso trabalho, para que outras pessoas possam ler o que temos produzido mais facilmente.

Este espaço é nosso, somos todos responsáveis por ele. Quaisquer sugestões são muito bem-vindas.

Bom trabalho a todos.