Páginas

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Pai, preciso de dinheiro!

Um grande cifrão reluzente, teclas com números e uma portinhola para a saída do dinheiro. É assim que vejo meu pai.Toda vez que preciso de grana pra comprar alguma coisa ou para sair, corro atrás do meu pai. Ele é bonzinho, sempre me dá uma quantia maior do que peço.Um dia percebi que só falo com ele pra pedir dinheiro. Não sei nem ao certo a idade dele, será que ele tem 37 ou 39 anos? Pois é, não sei mesmo.Num fim de tarde, logo que vejo meu pai entrando em casa, lembro que preciso comprar uma agenda.- Pai, preciso de dinheiro!- Oi filha, tudo bem com você? Como foi seu dia?Estranhei a pergunta. Num segundo vasculhei minha memória e percebi que não tinha perguntado como foi o dia dele nenhuma vez em muitas semanas.- Oi pai, estou bem e o senhor?- Estou bem, obrigado! - Com um grande sorriso no rosto - Quantos reais você precisa? Pela primeira vez não consegui responder aquela pergunta. Imaginei-me uma sanguessuga grudada ao pescoço dele. Uma parasita. Uma parasita muito nojenta.Naquele momento passou um filme na minha cabeça, mostrando todas as vezes em que pedi dinheiro a ele. Quando recebia o dinheiro saía correndo, muito feliz. E o meu pai? Como ele se sentia? - Não preciso mais do dinheiro, pai. Conte-me como foi seu dia, o que te agradou, o que te irritou...Senti que ele ficou confuso, mas feliz.- Ah, filha! Hoje teve um episódio muito engraçado...Mal prestei atenção no que ele dizia, fiquei encantada com o brilho do olhar dele.Prometo que daqui em diante irei me preocupar mais com meu pai, tentarei de todas as formas esquecer do dinheiro quando eu estiver junto dele. Mas, cá entre nós leitor, não dá pra ficar sem grana, não é mesmo?

2 comentários:

  1. É tão bom quando a gente percebe que a única diferença que há entre nós e nossos pais é basicamente nenhuma, na verdade!!!!

    ResponderExcluir
  2. Bacana, Larissa! Muito bom o início da sua crônica: legal a imagem e a expectativa que você criou.

    ResponderExcluir