Há diversas forma de viver, e alguém que considere que viveu bem, que aproveitou a vida, certamente irá sempre relembrar da adolescência e falar sobre ela. Para uns a adolescência é uma fase de muitas descobertas, para outros é uma época em que as pessoas são obrigadas a tomar as primeiras grandes escolhas e aparentemente decisivas para o resto da vida. Há diversos poemas, filmes, sobre essa transição da infância para a vida adulta. E certamente para cada um, a adolescência foi única, e traz lembranças únicas, mas para minha mãe... Ah, para minha mãe a adolescência dela foi tudo, aconteceu de tudo.
Não importa o que eu faça, o que eu diga, ou o e eu pense em falar - e portanto nem se quer saiu da fase do pensamento. Minha mãe sempre terá algo mais grandioso para falar, e certamente terminará a conversa com a frase: "Você não sabe aproveitar a sua juventude, essa é a verdade.". E eu digo que a conversa terminará assim, não porque ela me convenceu ou algo do tipo, mas simplesmente porque não há nada que eu diga que a conversa do contrário.
Normalmente evito ficar a sós com a minha ilustríssima mãe em lugares fechados, onde o nosso dom da fala possa facilmente se tornar uma conversa. Um diálogo até vai, um: "bom dia", ou "o que tem para o almoço?", mas nestes lugares fechados que tanto evito ficar a sós com a senhora minha mãe, não tem como ficar apenas em um diálogo casual. A sala de estar da minha casa, é um ambiente excelente para se usar como exemplo de lugares que sou obrigada a sair do diálogo casual, e partir para o massacre de ofensas subliminares, e camufladas com um "minha princesinha, você é tão esperta, mas...", quando chega esse "mas" eu já sei que virá algo: "na minha adolescência não era assim...", " eu fazia desse jeito..."
Não importa o quanto eu evite ou o quanto eu adie estas conversas. Elas sempre acontecem!
Esta crônica eu fiz para adiar umas dessas conversas; mas estou ouvindo ela chamar pelo meu nome em um tom levemente alterado, talvez o motivo seja porque eu não estou respondendo, fingindo estar super concentrada
Mas não tenho escapatória terei que descer, até a sala de estar. Um lugar fechado. Ficarei a sós com a minha mãe. E certamente terei mais uma longa tarde ouvindo de como sou um zumbi e não sei aproveitar a minha adolescência. Mas perto da adolescência que a minha querida mãe diz ter tido, ninguém um dia terá uma tão boa quanto!
Essa história de convivência entre pais e filhos é realmente intrigante, não? Adorei :D
ResponderExcluirTambém gostei, Mayara! As ironias e alguns recursos para se aproximar do leitor foram bem utilizados.
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