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terça-feira, 12 de junho de 2012

"Coisa sem sentido"

“Coisas sem sentido”

Num ponto de ônibus há dez angustiosos minutos, onde uma aguda dor no estomago anuncia uma futura gastrite nervosa, senta-se ao seu lado uma figura humana que dirige um “boa tarde” em sua direção, o retorno da sua parte é apenas uma contração facial, só para evidenciar que você o escutou, porém ele não se intimida e prossegue um discurso sobre o tempo, de repente ele já esta contando suas origens. Entretanto antes de contar você já havia percebido pelo sotaque que ele não é de São Paulo- “Nossa que cidade louca é essa. Eu trabalho a dez minutos a pé de minha casa lá em Recife e a aqui as pessoas vivem atrasadas, correndo, isto não é vida!”
O que você pensa é, esse cara está de brincadeira comigo. Mas o olhar do tal sujeito, seu ar sereno e de verdadeira reflexão sobre o que vê te impressiona, tanto que não há mais jeito: em minuto você está desabafando, jogando tudo pra fora, concordando e discordando sobre o caos da cidade e as mazelas do transporte publico. Naquele momento o relógio ate deixou de fazer sentido, o ônibus que ia pegar então nem se fale. Mas no pico da discussão aquela figura da sinal para um táxi e vai embora dizendo-“ Quando for ate Recife me procure viu!”
A sensação neste momento, além de estar sem jeito, é o peso, sim olhar das pessoas te encara como se expressar opiniões com desconhecidos fosse um crime. Mas nesse ciclo vicioso de vida você faria o mesmo no lugar delas.

Um comentário:

  1. Gostei do jeito que você descreveu o fato, bem técnico que se torna divertido.
    Mas você não acha que faltou um pouco de reflexão, ou então ficou com muita descrição a sua crônica?
    Parabéns pela criatividade!

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