Momentos
constrangedores surgem na sua vida sem você imaginar, assim, repentinamente
como aconteceu num dia que estava completamente estressado. Quando estou nestes
dias, procuro ser o mais amigável possível, para distrair, esquecer um pouco
dos problemas.
Indo
para o trabalho, atrasado, corro para não perder o elevador. Um rapaz o para
colocando o braço entre os sensores até que entrei. Logo agradeci o rapaz, sem
muito reparar, comecei a falar que estava atrasado, que estava por um fio de
perder a reunião, etc...
Mas como disse,
SEM MUITO REPARAR, não havia percebido que o jovem estava com fones de ouvido,
escutando música numa altura inexplicável. Portanto, não me escutou, me
ignorou. Se estivesse sozinho naquele ambiente tudo bem... Sairia sem falar
mais uma palavra, mas não, tinha que estar lotado aquele elevador!
Senti meu rosto
queimar, verde, vermelho, roxo não sei, mas sei que minha vergonha exalava para
quem fosse que estivesse ali presente...
Desejava sair o
mais rápido daquele elevador, ou que em um andar, todos saíssem e eu ficasse
sozinho, mais relaxado! Sempre que somos
ignorados tentamos disfarçar. Vai dizer que numa sala de aula, em meio a uma
pergunta que você não entendeu, levantara seu braço até a altura da orelha, no
meio do caminho vê que não é a sua opinião e finge coçar a cabeça? Até mesmo
quando quase caímos e saímos correndo para disfarçar.
O mesmo tentei
fazer, estava com o celular no bolso e com o fone pendurado em minha camisa,
quando tive a ideia de fingir falar ao celular pelo fone. Frases como “DEIXA
QUETO O QUE ACABEI DE DIZER” e “NÃO ESTOU ESCUTANDO, ESPERE UM MINUTO QUE
TIRAREI O FONE” saíram de minha boca. Alto, para certificar-me que todos ali
escutariam. Logo me despedi e guardei o celular novamente.
Enfim meu andar
chegou, sai do elevador sem ao menos olhar para traz. Mas não tem jeito, sempre
que saímos de uma saia justa, tipicamente gargalhadas brotam apenas por
lembrar-se do fato. Às vezes, quando em público, tornando mais um momento
constrangedor!
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