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terça-feira, 12 de junho de 2012

"Meu corpo, minhas regras" (meu corpo, minhas roupas)

Notícia: 
Marcha das Vadias reúne 500 pessoas em São Paulo


(...) Nos dizeres frases em defesa das mulheres como "meu corpo minhas regras", ou ainda "meia arrastão não justifica estupro".

Crônica:

"Meu corpo, minhas regras"
- meu corpo, minhas roupas!

E lá estava eu, parada sem reação, completamente imóvel diante de um porco, um cara nojento que a princípio eu até tinha achado bonitinho. Mas gora, agora minha vontade é de dar um tapa muito bem dado na cara do tal porco bonitinho.
Eu não devia ter vindo. Sabia que o filme da tela quente de hoje seria a opção certa, mas como dizer não à Valéria, ela sabe nos convencer, sempre nos convence. E cá estou


Nunca fui tão humilhada!


Logo no início, já fui surpreendida: "Esse bar já foi melhor frequentado!" olhei para um lado, olhei para o outro, me recusei a acreditar que aquela fala se referia a mim. Mas então vieram outras. Outras frases no ar, outras mãos bobas, piscadinhas e caretas que eu acho que eram para parecer sensuais, mas na verdade eram estranhas e me causavam asco.

É uma pegadinha, só pode! Onde estão as câmeras?

Aquilo não podia estar de fato acontecendo. Nunca fui de se jogar fora, mas aquela situação já estava demais. Estava me sentindo totalmente desrespeitada, e não faltei com respeito a ninguém, não que eu tivesse percebido ao menos.

Já chega, vou embora! Este gordo, nojento e porco foi a gota d'água - pensei. Ele não merece nem se quer uma resposta

Dei meia volta, estava a caminho da saída, decidida a ir embora, que se dane a Valéria, nem tchau ela está merecendo. Olha ao local em que ela me trouxe
Peguei minha bolsa. Paguei. Sai.
Entrei no primeiro táxi que avistei. "É uma motorista, ainda bem". Era uma mulher talvez um pouco mais velha que a minha mãe, parecia ser muito simpática

- Posso lhe fazer uma pergunta?
- Claro -respondi sorrindo, enfim uma pessoa educada.
- Por que você usa essas roupas? Na minha opinião, vocês que se vestem assim, possuem uma enorme baixa estima, faltam a vocês amor próprio. Ora, os rapazes irão se interessar por vocês mesmo sem terem que mostrar todo o corpo. Desculpe a grosseria talvez, mas é que você se parece demais com a minha filha e eu nunca a deixaria sair assim...

Não respondi nada. Permaneci calada o resto do caminho.
Cheguei em casa. Me olhei no espelho

"Estou parecendo uma vadia?"
- Sim, estou parecendo uma vadia!

Mas que culpa tinha eu, oh céus! Saí do trabalho e fui para o barzinho, e estava interpretando uma mulher bem atraente, por assim dizer.
Pensei, revisei todos os ocorridos da noite...
Ora, e se eu tivesse escolhido esta roupa. o que importa? O corpo é meu, me visto como quiser, e os outros devem me respeitar de qualquer forma. Não tem o ditado "não julgue o livro pela capa"?
Então...
Não julgue a vadia pela roupa!

2 comentários:

  1. Gostei da crônica. Acho que é isso mesmo, além de não respeitar, as pessoas fazem comentários infames, falando mal do jeito que as pessoas se vestem..

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